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Seloi Totti, a Dama de Ferro do judô nacional, deixa um legado de grandes conquistas no judô rondoniense


No século passado registraram-se várias lutas das mulheres em busca da igualdade no mercado de trabalho e direitos civis. A mulher deixou de ser apenas dona de casa para construir novos paradigmas e desconstruir outros tantos, provando no dia a dia sua capacidade. Assim, as mulheres ocupam hoje o espaço devido na sociedade, com direito a voz e voto, e continuam construindo uma história de vitórias, qualificando-se cada vez mais e ganhando destaque em vários segmentos.

No esporte não é diferente. A mulher divide os afazeres domésticos com treinamentos, dedicação e, acima de tudo, capacidade de adaptação. No judô, mais especificamente, as mulheres estão honrando e mantendo a tradição de conquistas do Brasil no cenário internacional, ostentando um número cada vez mais expressivo e significativo de medalhas e títulos.

Em abril de 2017, um passo importante foi dado pela Confederação Brasileira de Judô (CBJ) ao conduzir pela primeira vez uma mulher ao posto de vice-presidente.

Seloi Totti dedicou-se ao judô nos últimos 30 anos, e como atleta realizou nos tatamis combates memoráveis, saindo vitoriosa de todos os confrontos até chegar ao cargo de vice-presidente da Federação de Judô de Rondônia (FEJUR), em 1996. Por quatro anos, mesmo na condição de vice-presidente, exerceu funções de comando, elevando o esporte ao mais alto patamar, construindo um caminho sólido com parceiros na esfera público/privada para garantir apoio à modalidade. Começava aí o fortalecimento do esporte com a filiação de novas academias, mais competições e o surgimento de novos atletas.

A partir de 2000, eleita presidente da FEJUR, Seloi Totti começa uma era de grandes conquistas. A entidade investe na preparação para conquistar competições regionais, os atletas recebem treinamento com profissionais de ponta, e os resultados começam a surgir. A mudança de região da federação leva os judocas de Rondônia a competirem com atletas de Mato Grosso, Acre, Tocantins e Goiás, além Distrito Federal, proporcionando novas oportunidades aos atletas. O gasto com passagens aéreas deixa de ser um empecilho, e mais judocas podem representar Rondônia.

A implantação do ranking nacional, baseado em competições estaduais, deixou a seleção rondoniense mais democrática e tecnicamente mais forte. A FEJUR teve atletas na seleção brasileira de base, que participaram de sul-americanos, pan-americanos e mundiais. O Estado passou a receber grandes competições da CBJ e, no âmbito interno, descentralizou as competições, garantindo não apenas ao público da capital, mas também ao do interior, a oportunidade de ver de perto grandes atletas do judô brasileiro.

Todo este trabalho garantiu a formação de novos árbitros e o surgimento de mais atletas e professores de Rondônia à frente de delegações brasileiras em competições internacionais.

Eleição na CBJ

A Dama de Ferro do judô rondoniense passou o bastão de presidente da FEJUR, deixando um legado expressivo e atletas ranqueados em primeiro lugar no Brasil, como é o caso da judoca Amanda Arraes, de Cacoal, destaque no brasileiro sub 21. Ao assumir então uma das vice-presidências da CBJ, tornou-se a primeira mulher a ocupar um cargo no comando da confederação brasileira.

“Sei que os desafios são muitos, e vou dedicar-me ao máximo para não decepcionar”, disse Seloi Totti. A vice-presidente afirmou que acredita no trabalho desenvolvido até aqui. “Tudo qualifica o judô brasileiro para brilhar ainda mais nas competições internacionais deste quadriênio e em Tóquio 2020”, afirmou.


Em sua despedida Seloi Totti agradece o apoio recebido

Exaltada dentro e fora do Estado por sua dedicação e retidão na condução de um esporte olímpico fundamento em preceitos éticos e filosóficos, a dirigente rondoniense valorizou e agradeceu o apoio contínuo de todos os setores da modalidade.

“Agradeço inicialmente a Deus, pois sempre me conduziu pelos caminhos do bem, da ética e do respeito, a minha família, que apesar de muitas vezes tê-la deixado de lado por compromissos assumidos com a modalidade me inspirou, apoiou e fortaleceu, e aos nossos associados, pelo reconhecimento e pela confiança depositada. Com seu apoio, eles me deram as condições de conduzir a FEJUR, mesmo em períodos de turbulência e recessão, e que busquei retribuir com o meu compromisso irrestrito, lutando pela valorização dos nossos professores como profissionais”, disse a dirigente.

“Despeço-me com a mesma dignidade de quando assumi”

A ex-dirigente lembrou as dificuldades enfrentadas na transformação de sua modalidade e na inclusão do judô na cultura esportiva de seu Estado.

“Ao longo destes anos à frente da federação, se não tive condições de torná-la maior, com certeza estou entregando melhor do que a recebi. Acredito que dei minha contribuição, buscando fazer convênio com a empresa de transportes (Eucatur), que perdura há mais de 15 anos. Convênios com faculdades permitiram que vários professores e atletas se graduassem no ensino superior de forma gratuita. Realizamos vários cursos e treinamento para faixas pretas, técnicos, árbitros e atletas. Dotamos a FEJUR do equipamento necessário e zelamos pelo material recebido da CBJ por meio do PAF”, destacou.

Seloi Totti enumerou os principais eventos realizados em sua gestão e que projetaram a modalidade em todas as regiões de Rondônia.

“Realizamos importantes eventos nacionais, como o Campeonato Brasileiro da Região III em 2003, o Campeonato Brasileiro da Região IV em 2007, a seletiva para os sul-americanos juvenil e júnior de 2008, a final do Campeonato Brasileiro Júnior em 2011, o Campeonato Brasileiro sub 15 em 2013, e o Campeonato Brasileiro da Região IV em 2014”, lembrou a vice-presidente da CBJ. Por fim, agradeceu o apoio recebido de todos os setores da comunidade judoísta rondoniense.

“A FEJUR faz parte da minha vida. Por ela me empenhei e dediquei muitos anos de trabalho voluntário, seja carregando tatamis, seja como mesária, sumulista, tesoureira, técnica, vice-presidente e presidente. O futuro a Deus pertence, e quem sabe eu possa contribuir como conselheira. Agradeço o reconhecimento da maioria dos senhores, que sempre me respeitaram e honraram com a sua confiança, me reconduzindo ao cargo em mais de uma oportunidade. Hoje me despeço com a mesma dignidade de quando assumi, desejando sucesso a todos e manifestando o sentimento de deixar a entidade com a certeza de ter cumprido a minha missão. Muito obrigada a todos”, concluiu a dirigente da CBJ.

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Por PAULO PINTO I Fonte FÁBIO DE SOUZA TRECHER I Fotos BUDÔPRESS